Nós somos bombas que não deixamos a trava de segurança acionada.

Já sentiu como se uma palavra, um gesto ou um comportamento do outro ativasse automaticamente um sentimento de ira, raiva, fúria, tristeza e te fizesse gritar, chorar, explodir ou sair correndo?

Isso é um exemplo do que acontece quando o seu Gatilho Emocional é ativado.

Antes de te contar o meu exemplo real, que causava muitas brigas no meu relacionamento e como resolvi essa situação, você precisa entender como ele funciona:

Gatilho emocional é qualquer ação, sentimento, cheiro, piada, palavra que ativa uma resposta emocional (muito) intensa por nos conectar com uma ou mais memórias de coisas que nos feriram.

Como alguém que vai te dar um abraço e acaba tocando bem no seu ombro que está com um belo de um corte. Aberto.

O problema não está no abraço em si, mas no corte que ainda está aberto e que, se tocado, com certeza vai doer.

Esse corte são as memórias ou mágoas que temos e que em sua maioria estão no nosso subconsciente.

É como se você não lembrasse que tem um corte no ombro, mas toda vez que alguém encosta dói e você fica put@ da vida.

Pode ser que você tenha vários gatilhos para uma mesma memória, ou um gatilho venha de várias feridas.

Na nossa história…

O meu gatilho era acionado TODA vez que o Matheus dizia “Presta atenção”.

Era só ele falar isso, de qualquer jeito, que eu explodia, ficava P da vida e começávamos a discutir.

(Já passou por algo parecido né?)

Até que em uma dessas explosões eu falei pra ele que eu não era burra, que eu pensar diferente dele era meu direito e não estava errado.

Acontece que ele estava falando sobre um erro de ortografia.🙄

Ele disse que tinha certeza que eu era muito inteligente, que não tinha intenção de me diminuir, que concordava com meu pensamento, mas que eu tinha escrito errado pela pressa de escrever.

Nessa hora eu percebi que realmente ele não tinha essa intenção.

Comecei a chorar e me perguntar porque eu sentia que ele me achava burra.

No mesmo momento esse sentimento de inferioridade me dominou e comecei a lembrar de situações em que sentia que eu não fui boa o suficiente, situações com meu pai, com um ex-namorado…

Ai ficou nítido que EU tinha uma ferida aberta com o sentimento de insegurança e inferioridade que vinha da minha história, bem antes do Matheus entrar na minha vida.

Quando percebi de onde vinha essa dor, compartilhei com o Matheus usando a Intimidade Emocional, reconheci que isso era algo meu e ele me acolheu.

Pedi pra ele ter paciência, que aquilo era um ponto MUITO sensível pra mim.

Durante um tempo ele parou de falar essas palavras, me abordava de uma forma mais cautelosa e carinhosa quando ia apontar algo que eu poderia fazer melhor…

Quando situações parecidas aconteciam eu tirava um tempo pra sentir o que vinha e me lembrar que eu não era burra e que isso era uma ferida do passado.

O nosso desafio é entender onde estão essas feridas, o que as causou, cuidarmos delas para que cicatrizem e parem de doer.

Nayara Rosa

Desenvolvemos um passo a passo para lidar melhor com Gatilhos Emocionais:

  1. Fazer uma pausa para prestar atenção aos sentimentos e nomeá-los (Vocabulário Emocional)
  2. Identificar o que causou a reação emocional (O Gatilho)
  3. Lembrar de outras situações que também se sentiu assim (Resgatar a Origem)
  4. Reconhecer que esse gatilho existe, que está relacionado a essa lembrança e que isso não é culpa do outro.
  5. Toda vez que sentir uma emoção intensa repetir o passo 1 a 4.
  6. Tratar essa ferida (Terapias, Mentoria Individual, Diário das emoções, Caderninho das mágoas, Ho’pono pono…)

Entrar em contato com nossas feridas abertas pode ser um desafio, mas com paciência, compaixão (com nós mesmas/os) e prática, é possível mudar COMPLETAMENTE essa dinâmica e ter uma relação muito mais leve!

Nayara & Matheus

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